20170819

Fita cassete (VHS)

Hoje eu abri uma fica cassete. Não a fita cassete em si, mas uma caixa com uma fita cassete dentro. Depois de três sábados e duas quintas simplesmente passando de quatro a cinco horas sentado em uma mesa ao lado de uma estante cheia de fitas cassetes me perguntei porque só fiquei tentado a abrir uma daquelas inúmeras caixas depois de tanto tempo. Apesar de parar para observar de tempos em tempos aquela estante cheia de títulos desconhecidos (alguns conhecidos, muitos apenas tento ler suas lombadas), sábado passado foi quando algo me chamou a atenção a ponto de fazer tirar a fita da estante e (tentar) ler seu verso. Uma fita educacional sobre Beethoven.
Hoje, apesar de já ter visto a lombada de Akira na estante, resolvi pegar a fita e examinar seu verso: "Como eram os versos de fitas? É como o DVDs e Blurays?" Me surpreendi com o tamanho do texto sobre o filme e quase nada de informações de produção do filme como diretor, produtor, atores, compositor, etc. Quase colocando a fita de volta em seu lugar notei algo diferente. A caixa da fita não era preta [como tendia a se 99% (chute)] mas um rosa translúcido. "Nossa, lembra quando uma caixa tinha uma cor diferente!? Quando a fita era verde! Ou azul!" Observando ali a lateral da fita exibindo sua cor excêntrica o ímpeto de abrir a caixa me tomou de supetão: "Tudo bem abrir, não? Mesmo se não circulasse eu teria que abri-la para assistir aqui!" E foi aí que uma sensação estranha acontenceu. Eu lembrava como são as fitas cassetes, como são suas caixas, mas esqueci como era abrir uma caixa de fita cassete e como uma fita cassete se comporta dentro de uma caixa.
Você nunca, NUNCA, sabe a força que você vai ter que colocar nos seus dedinhos para abrir uma caixa apenas a examinando com os olhos. Algumas abrem facilmente, outras requerem uma força habitual, mas algumas.. ah, amigo(a), elas requeriam uma força fora do comum. Você leva um jump scare quando abre a caixa pois a força é tanta que a fita quase salta da caixa em sua direção. Você lá fazendo força, movendo micrometros e mais micrometros, aumentando a força para abrir "essa maldita caixa que não quer abrir" até que PLAUFTK! a caixa abre e você se assusta. E é nesse abrir da caixa que outra evento acontece. Independente de qual tipo de caixa você pegar, devido as fitas não ficarem presas a ponto de ficarem imóveis elas sempre vão fazem um barulhinho devido a folga que existe entre a caixa e a fita. Soma-se a isso o fato de os rolos nos quais o filme está enrolado não são fixos na fita mas sim um pouco soltos, presos por algum sistema com molas, o que adiciona uma extra bounciness no sistema. Abrir uma caixa de fita VHS sempre soará um ruído de tremidinha.
Uma experiência e tanto para um dia só. Mal posso esperar pelo dia em que vou me levantar, não arrumar a mesa, pegar uma fita (acho que já sei qual) e falar (pensando): "É hoje que eu vou ouvir aquele barulhinho de fita entrando e caindo, de fita rebobinando, de fita fazendo uma série de barulhos finais depois de rebobinar querendo dizer PROCESS COMPLETED"

P.S. Pô, eles tem Omoide poro poro! Rindo aqui imaginando assistindo ao filme e chorando no canto da biblioteca e me colocando nas outras pessoas: "O que eu devo fazer? Devo ir lá ver se ele tá bem?O que esse moço tá assistindo pra tá assim? 'Tá tudo bem, amigo?'"